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| Grant Hackett (Foto: Swim Channel) |
O relaxamento das medidas de restrição durante essa fase da pandemia possibilitou a retomada da prática de atividades físicas em academias e clubes. Com isso, a natação volta a ter o lugar na agenda de triatletas e nadadores, de competição e recreativos.
O retorno dos treinos na água trouxe à tona antigos problemas, que não lembrávamos ou não nos deixávamos lembrar por conta das saudades de estar colocando o corpo à prova dentro desse ambiente quase hostil que é água.
Durante a paralisação e o lockdown, cerca de dois meses ou mais sem natação para muitos, não nos demos conta do nível de compromisso que a natação nos impõe. Em consulta com alguns atletas que acompanho, percebi que as dificuldades estão divididas em dois aspectos: motivação e técnica.
No âmbito da motivação, uma dificuldade surpreendente é a oferta de piscina. Parte considerável de quem treina natação não tem encontrado uma piscina com facilidade, que tenha horários adequados à rotina. Somados ao tempo dispendido para se deslocar, em alguns casos o trajeto trabalho-psicina-casa pode levar mais que o tempo nadado.
São fatores que pesam bastante na motivação em manter a consistência na água. E a natação, como todo esporte, depende disso para conseguir gerar alguma evolução.
Para quem conseguiu restabelecer a rotina de treinos de natação, as dificuldades estão na respiração, coordenação e na falta de percepção de que os esforços estão fazendo progredir. Mesmo que a natação exija a consistência que havia citado, a repetição de movimentos que não produzem eficiência na água acaba deixando as coisas no mesmo lugar, se tornando um fardo.
Ouvi relatos de triatletas que não sentem diferença quando estão treinando natação ou não. E, em alguns casos, foi até melhor abandonar por causa da dedicação de tempo e esforços que não estavam levando a lugar nenhum, apenas gerando cansaço e frustração.
Uma das soluções que vejo para a natação em triatletas é reservar o espaço para a natação na piscina duas vezes na semana. Um dos privilégios desta turma é a natação em águas abertas, que não exige tanto das técnicas de pernadas, braçadas e respiração como nas piscinas e ainda elimina técnicas específicas como viradas e saídas da borda.
Portanto, a oportunidade de colocar uma vez na semana a natação em águas abertas oferece a quebra de um mal comum à natação que é a "mesmice" de nadar para um lado e para o outro na piscina. A vantagem do treino no mar é colocar um estímulo contínuo e intensidade mais baixa que da piscina, o que agrega ao condicionamento geral tanto da natação como do triathlon.
Tendo a prática desta modalidade inserida por três vezes na semana já satisfaz a demanda do triathlon. A questão de tempo para deslocamento e a oferta de uma piscina é que vai precisar de mais paciência do que para a corrida e o ciclismo.
Uma estratégia válida é a natação na piscina estar dentro do horário que você está fora de casa. Nos dias que for nadar, procure agendar compromissos ou tarefas que estejam próximos ao local do treino.
Assim, evita a passagem em casa e todo o conforto que traz depois de um longo dia de trabalho. Recomendo chegar em casa com o treino feito. Tenho visto maior adesão quando as pessoas colocam a natação desta forma.
Essa mesma estratégia é válida para quem tem natação como principal esporte. Mas também pode-se colocar como uma atividade anterior ao trabalho e compromissos, sendo assim no início do dia. Dependendo da distância da piscina para a sua casa ou seus trabalhos, é provável que seja necessário para depois de sair da água estar pronto para as tarefas do dia e retornar para casa pode acabar atrasando o seu dia, nesse caso. Avalie como você pode inserir os seus treinos e que a sua rotina seja maximizada.
Na parte técnica, o triatleta pode lançar mão dos equipamentos (palmar, boia, elástico, pé de pato, snorkel, por exemplo) como recurso para uma sessão de qualidade na piscina. A utilização de tais recursos auxilia na execução dos movimentos, fortalece grupos musculares específicos e mantém a concentração no treino.
Enquanto que tanto para nadadores como para triatletas a alternância de intensidades estimula de diferentes formas as adaptações fisiológicas, o volume de treino está diretamente relacionado à técnica.
O assunto técnica pode se tornar um tabu quando encontramos algumas limitações, e cada um deve conseguir interpretá-las para traçar estratégias que possam ou modificar ou, na maior parte dos casos, adaptar a natação da melhor forma possível.
- Leia a postagem sobre como abordar técnica em "DICAS PARA UMA NATAÇÃO MAIS RÁPIDA"
- A postagem "A MELHORA DA PERFORMANCE" discorre sobre o progresso.

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