TREINO DE CORRIDA LONGA - Parar ou não, eis a questão?



Durante um longo treino de corrida, você encara uma situação comum a todos que moram em grandes cidades no mundo. Vou chamar de "corre-para-corre". O corre-para-corre acontece por razões variadas: sinais de trânsito, tráfego da via, ida ao banheiro, hidratação 

Ao longo dos anos, os corredores que treinam distâncias longas sempre se perguntam se parar durante um treino para depois retomar prejudica, ajuda ou se dá um falso resultado de avaliação para o objetivo principal, geralmente uma meia maratona ou uma maratona. 

Não existe uma linha de pesquisa direta sobre os efeitos das paradas numa corrida em comparação com uma corrida completamente contínua. A maioria das pesquisas observam o contínuo versus intermitente (intervalado), o que não consegue esclarecer sobre corre-para-corre. 

Os dois tipos de treinamento têm gerado resultados semelhantes na melhora do condicionamento físico. Por o treino intervalado ter o seu dinamismo e maior possibilidade de variações e o contínuo deixar parecido com uma prova, um praticante de corrida consegue se consolidar numa combinação dos dois treinos. O contínuo pode ter variações de ritmo e o intervalado pode ser mantendo um tipo de intensidade e vice-versa, assim vai se firmando a corrida.   

Contudo, as pequenas pausas ou uma longa pausa durante um treino que dura uma hora e meia ou mais ainda carecem de investigações diretas. Algumas questões podem ser pontuadas sobre o assunto. 

Apesar da pouca pesquisa, podemos colocar que o treinamento é condicionar o seu corpo. A repetição de certas atitudes irá trazer um padrão. Tudo o que você for repetindo num treino longo, irá influenciar na sua prova. 

O treino longo dentro da zona de intensidade da prova causa o aumento da força do músculo cardíaco, maior capacidade de transporte de oxigênio, melhora a capacidade de contração do músculo ativo e aumento no volume sanguíneo.

Podemos suspeitar da influência mecânica nas pausas. Mas, repetindo, a pouca pesquisa nesse tipo assunto ainda não trouxe uma conclusão. Uma verdade é que a medida que o tempo vai passando, algumas compensações vão acontecendo e gesto não será o mesmo do iniciado na sessão. As variações de terreno e o tipo de piso, fatos não difíceis de ocorrer numa corrida longa, também influenciam a técnica.   

A nutrição pode ser um fator para o tamanho da pausa. O tipo de alimentação pode deixar a pausa mais demorada ou encurtada, a ida ao banheiro pode ter relação com desidratação ou mesmo o tipo de refeição do dia anterior. O tipo de combustível que o atleta coloca será determinante no número, tempo e tipo da pausa.

Durante uma corrida longa, muitos conseguem ter a sensação de alívio nas pausas, podendo colocar a cabeça para funcionar nesse tipo de situação. Sabendo quando e como vai parar, dá mais confiança para manter um ritmo e concluir o treino.

Quanto ao trânsito da sua cidade, é legal ter um plano de percurso. Procurar deixar a rota longe das paradas inevitáveis, como sinais de trânsito e cruzamentos com fluxo intenso. Calçadas ou ruas sem buracos seriam um sonho, encará-los isso como parte do treino acaba sendo o melhor caminho. O tráfego de pessoas você não pode controlar, recomendo ter a atenção em como elas estão passando e onde você está dentro desse movimento.   

Um pensamento que todo atleta de corrida deve ter é em conseguir manter o coração e o ritmo de corrida dentro das zonas de intensidade da prova pelo maior tempo possível. A adaptação do seu corpo será pelo tempo nelas. Gosto de repetir a quem acompanho que o corpo não liga para a quantidade de quilômetros que você corre, ele se adapta ao tempo e à velocidade que ficamos durante a corrida.  

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Leituras que contribuíram para a postagem (link nos títulos)

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Na foto retirada do portal da Globo, Emil Zatopek, corredor campeão de todas as distâncias possíveis. Um atleta que difundiu o treinamento intervalado. A Revista Atletismo conta um pouco disso aqui


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