Na última postagem sobre o estresse térmico chegamos aquela questão que o atleta de endurance quer saber: "quais são os sinais de que estou superaquecendo?"
Gostaria de continuar lembrando que não é apenas a temperatura ambiente que irá provocar o superaquecimento. A umidade relativa do ar, o nível de intensidade e a quantidade de tempo do exercício, o condicionamento atual do atleta, o grau de aclimatação, a roupa e os níveis de radiação são fatores que se devem levar em conta. Algumas vezes, mais até que a temperatura ambiente.
Em uma matéria da NBC, os autores ordenaram em 3 fases (câimbras, exaustão e insolação) os sintomas do superaquecimento.
As câimbras são os primeiros sinais de que o corpo está mais aquecido do que o ideal. Elas acontecem pela perda hídrica e de sal nos músculos. Geralmente, mãos, panturrilhas e pés são os locais das câimbras por superaquecimento. Uma explicação é que esses músculos estão nas extremidades do nosso corpo. Nem toda câimbra se dá pelo superquecimento, mas o primeiro sinal de exaustão provocada pelo calor é a câimbra nas extremidades do seu corpo.
As câimbras cessam naturalmente em minutos com hidratação ou interrupção momentânea da atividade. Para continuar a atividade, seria ideal verificar a sua temperatura. Sabemos que é inviável durante um treino ou uma prova. É bom se hidratar, verificar a roupa que está usando, diminuir a intensidade do exercício. As decisões a tomar devem ser para interromper a ação do calor em você.
A próxima fase do estresse é a exaustão. Os sinais desta exaustão são a dor de cabeça, febre baixa, aumento da sensação de sede, náusea ou vômito, fraqueza generalizada, dor muscular e câimbras (estas nas extremidades e agora também nos grupos musculares utilizados durante o exercício). A ansiedade começa a aparecer e a pressão arterial compensa, comumente para baixo. Condições que começam a colocar tanto a atividade em risco como a própria saúde.
Depois das câimbras e da exaustão vem a insolação. Nesta condição, o atleta não consegue mais controlar os sintomas e tratá-los, necessitando de ajuda urgentemente. Os sintomas da insolação são:
- Confusão mental
- Pele seca e avermelhada
- Falta de suor
- Falência de orgão (os rins)
- Convulsões
- Tomar álcool, café e refrigerante geram uma perda hídrica, não vou colocar uma proibição até por conhecer a nossa cultura quanto às três bebidas citadas, gostaria de deixar mais como uma recomendação de bebê-los em menor quantidade ou evitar em dias anteriores aos treinos/provas com mais de uma hora de duração.
- Água é suficiente para atividades com duração menor que uma hora, enquanto os isotônicos farão a reposição de sais, minerais e fluídos para atividades com duas ou mais horas.
- Os líquidos devem estar frios, mas não tão frios para evitar um colapso muscular no estômago ("câimbras estomacais") .
- Limitar os treinos em dias quentes é uma alternativa. Mas se for inevitável, tentar fazer uma aclimatação. A exposição ao calor deve ser progressiva e por alguns dias seguidos para que a aclimatação seja efetivada.
- A escolha das roupas. A roupa é importante para que o calor consiga sair do seu corpo para o ambiente. Uma roupa folgada demais pode gerar o efeito chaminé, quando o corpo até consegue se livrar do calor, mas roupa está longe dele e cobrindo esse trânsito. Roupas claras absorvem menos luz, diminuindo os efeitos da irradiação.
- Uso de proteção. Óculos escuros, algo para cobrir a cabeça e protetor solar.
- Descansar na sombra quando estiver com sinais de exautsão.
- A ingestão de sal deve ser cuidadosa, é bom que se tenha um plano coordenado com um nutricionista para que não seja além da capacidade de reposição. Algumas vezes, na ânsia de repor os sais, o atleta pode acabar ingerindo demais aumentando ainda mais desidratação.
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A HISTÓRIA DA FOTO
Elsy Jacobs (1933-1998) foi uma ciclista de Luxemburgo. Foi a primeira campeã do mundo, em 1958. No mesmo ano, bateu o recorde da hora (41 737 metros) que durou 14 anos.
As estatísticas da carreira dela estão no Pro Cycling Stats (clique e acesse).
Trailer de um documentário dela (na palavra documentário está o acesso, vídeo em francês e legendas em inglês).
Uma mulher teve que provar muito durante a sua jornada. Com dificuldades de sprint, ficou famosa por atacar bem antes da chegada, é provável que ela tenha aprendido a controlar as ações do calor (e do frio também). Conseguiu quebrar o recorde da hora, mesmo sendo taxada de uma ciclista ruim em velódromo. Luxemburgo nunca considerou em bancar sua carreira, portanto, dinheiro foi uma constante. Ciclista, campeã do mundo, luxemburguesa!
Coloco a foto dela inspirado em outra leitura, "Pequena Casa de Chá em Cabul". O link está no próprio título do livro. A obra começa devagar, mas depois vou entendendo o que autora quer me fazer olhar. A vida das mulheres na capital do Afeganistão. As limitações impostas no radicalismo. Vidas e lutas não diferentes de outras mulheres no mundo inteiro. Fica a minha homenagem para as mulheres em tempos tão difíceis. Tenho visto como é diferente durante esses últimos dias e aprendido juntamente com esse livro.

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