ESPORTES DE ENDURANCE - As razões para fazer e continuar fazendo o "ir longe, bem longe e por muito tempo" (PARTE 1)
Quando se está treinando para uma prova ou desafio específico, você até garante a resposta e consegue driblar todos os "não" que podem aparecer. Agora quando as provas não estão nem perto de aparecer, uma situação que estamos aprendendo com a pandemia, fica muito fácil comprovar de que não é preciso. Contribuindo para a negativa vem praticamente todos os fatores externos e não negarei que, de fato, são bem válidos. Contudo, me sinto no papel de trazer uma perspectiva mais positiva sobre essa de fazer os esportes de endurance na sua essência, os treinos longos.
Os esportes de endurance, aqueles que demandam uma certa energia por um longo período de tempo, se mistura com a história da humanidade e suas civilizações. Existem achados no Iraque de 3.000 anos atrás de lutadores do wrestling, em que eram admirados por conseguir manter a mesma força e resistência em lutas longas e, algumas vezes, mais de uma luta num dia. Grécia e Roma colocaram o endurance em outro nível com as corridas, que começaram com os 'sprints' do stadion (distância de 180 a 190m, com uma curva de retorno) nos Jogos Olímpicos daquela era, depois foram sendo adicionadas as de média e longa duração, diaulos - geralmente, dois stadions, entre 360 e 400 - e dolichos - com a distância calculada entre 7.5 e 9km- e o hiplodromo - a última corrida dos Jogos, baseada nas guerras, os atletas vestiam capacetes, escudos e vestimentas de guerra para realizar um stadion ou um diaulos.
Até chegar nos nossos tempos, alguns esportes estabeleceram marcas e desafiaram a capacidade de resistir. O críquete, pouco difundido aqui, e o golfe foram colocando os atletas a vários dias numa partida ou torneio. Quando veio os Jogos Olímpicos de nossa era, surgiu a maratona. A prova baseada na famosa corrida de Pheiddipides de Maratona a Atenas. Pheiddipides era um mensageiro de guerras, o que era comum naquela época. O ser humano percorria longas distâncias para o envio de mensagens, para a busca de alimentos e abrigo, para o manejo do seu gado. O endurance está na história humana não só como esporte,mas também como uma condição de sobrevivência e, se for parar pra pensar, perpetuação de sua história ou pelo menos conseguir suplantar um tempo maior para a nossa espécie. Outros esportes vieram e outras provas foram colocadas para a humanidade e que poderíamos colocar em uma postagem futura.
Acredito que essa menção histórica pode lhe dar um argumento para alguma negativa. A questão de sobrevivência da espécie dá um peso considerável. No entanto, o nosso modo de vida acaba refutando o propósito, já que podemos enviar mensagens pelo telefone e ter informações com a internet, não precisamos percorrer longos trajetos para encontrar alimentos e até o deslocamento para tal é facilitado com os meios de transporte, sem falar no conforto de nossas casas como abrigo, servindo para o frio e o calor ou, pelo menos, criando soluções para isso e praticamente termos aniquilado qualquer possibilidade de existir um predador da nossa espécie.
Para conseguir se convencer em realizar a atividade de longa duração, você pode ir pelo caminho fisiológico. Ao longo da nossa história, a ciência começou a comprovar tanto em como fazê-la quanto os benefícios que ela pode trazer.
Durante o exercício aeróbio, o consumo de oxigênio aumenta exponencialmente nos primeiros minutos, atinge o platô entre terceiro e quarto minuto e daí em diante mantém-se estável até a sua conclusão. Esta estabilidade é chamada de steady state, que é o equilíbrio entre a energia que os músculos ativos necessitam e a produção dela pelo metabolismo, todo o lactato produzido será oxidado ou consumido. A perda de líquido e a depleção eletrolítica serão um dos fatores limitantes da atividade a partir daí, que pode ser cada vez mais atrasada a medida que se vai repondo com a hidratação e a alimentação durante o esforço.
Ademais, no endurance é preciso contabilizar o componente anaeróbio causado pelo acúmulo de lactato do período. Em razão do exercício exaustivo (endurance) requerer mais energia do que os processos metabólicos aeróbios podem fornecer, a transferência de energia anaeróbia aumenta, acumulando lactato. Sendo mais um fator limitante. Outros fatores dizem respeito à termorregulação e os níveis de hormônios termogênicos. Para ter melhorada a condição do endurance, é preciso treinar. O treino é como seu corpo vai aprender a suportar por mais tempo a atividade, retardando a ação dos fatores limitantes. Quanto mais treinado estiver, maior será a capacidade do endurance. Tem também a maior capacidade de recuperação que o corpo consegue organizar, levando menos tempo para se sentir mais recuperado e, consequentemente, a capacidade em colocar novos estímulos nele.
Nas próximas postagens, irei enumerar os benefícios que o endurance e os seus treinos (bem) longos trazem. Os componentes físicos e emocionais que são alterados, ajudando você a se convencer de que sim, o triathlon (ou qualquer esporte de endurance) que você pratica faz bem! Pra você e para todos com quem você convive.
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Leituras que contribuíram para esta postagem:
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A foto da postagem é da embarcação ENDURANCE, utilizada na expedição de Shackleton na Antártida em 1914. E é bem legal saber sobre ela, tem um pouco a ver com que fazemos. Deixo o link do Amazon

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