Numa rápida pesquisa pela internet, é fácil concluir de que a obesidade tem se tornado comum na sociedade e pode até ser considerada uma epidemia mundial. Tudo tem um motivo e na hora de falar de obesidade, ligamos aos sempre lembrados hábitos saudáveis. Que hábitos são esses? Alimentação, exercícios e repouso. Todos esses três vêm com diversas formas e definições que todos já estão a par, mas que deixam pra depois - "amanhã, eu começo"; "semana que vem"; "próximo ano"; "depois que passar no concurso"; "quando acabar o mestrado"; "quando eu tiver dinheiro"... todas são proteções que apresentam argumentos de sobra para deixar com que domine o seu dia e, por consequência, a sua vida. Nessa terceira postagem, eu ia fazer um resumo das pesquisas acadêmicas sobre a obesidade em Fortaleza. Mas, decidi misturar o resumo com alguns alertas e, claro, algumas dicas de como um obeso pode iniciar a atividade física.
O Ministério da Saúde todo ano publica o Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), um levantamento geral que traz a situação sobre essas doenças crônicas, vou me ater aqui aos números desse estudo relacionados ao excesso de peso, apesar de achar que os outros números apresentados também corroboram o aumento de peso do nosso país.
Em 2011, o Ministério da Saúde publicou o levantamento e nele colocou o "ranking" das capitais brasileiras com excesso de peso. Fortaleza aparece como a capital com o segundo maior número de pessoas com excesso de peso (somadas as pessoas com sobrepeso e as pessoas que apresentam obesidade), sendo a quarta colocada em número de obesos. São posições alarmantes. Contudo, mais assustador era o número percentual: mais da metade da população de Fortaleza (53,7%) está acima do peso ideal!
Em 2013, esse número caiu um pouco (51%) e a capital cearense fica num empate na 12a. colocação. Mesmo assim, continua com mais da metade da população com excesso de peso e com certeza é uma razão para todo fortalezense se preocupar. O excesso de peso está ligado a diversos problemas crônicos de saúde, tais como insônia, doenças coronarianas, hipertensão, diabetes...
Lembrando que a Organização Mundial da Saúde já considera a obesidade uma doença epidêmica, eu mesmo começo a considerar o sedentarismo uma nova doença. O sedentarismo por si só já considero o inicio do processo de formação do obeso. E ele não começa há um ou dois meses atrás.
Nos estudos que fui vendo durante essa semana (listo três de alguns artigos sobre a obesidade infantil feitos no Brasil e um em Portugal, clique em cada número: 1, 2 e 3) estão comprovados que durante uma infância sem estímulos físicos a possibilidade de ganho de peso é maior e a perda desse peso a cada ano que passa de inatividade fica mais difícil.
Ainda sobre o Vigitel, em 2013, Fortaleza aparece em 18o. lugar na proporção de adultos praticantes de atividades física no nível recomendado. Quando eu tenho que lembrar que o recomendado são 150 minutos (3 horas) divididos em 7 dias da semana, o que dá 21.3 minutos por dia da semana (menos de 1/48 do dia), é de ficar quase que escandalizado. E quando você vê que o tempo livre, em quase 30% da população, é gasto em 3 horas de televisão, você não acredita muito que a pessoa não tem tempo para fazer a atividade.
Por isso, venho chegando à esse conclusão: o sedentarismo é uma doença.
No caso infanto-juvenil, tive um número que também preocupa: 140mil crianças e adolescentes (entre 5 e 19 anos de idade) de Fortaleza são obesas. Publicado pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e que encontrei aqui.
Sempre sendo citada a inatividade física. Claro que há a alimentação e o controle do sono. Mas, a preocupação que tenho com a inativdade física se torna quase natural por causa da minha profissão e que devo ajudar no processo de prevenção e tratamento do obeso (também do sobrepeso e do sedentário).
A partir de tudo que vi nessa semana, surge uma verdadeira tempestade mental de tópicos e que futuramente pretendo explorar aqui. Segue alguns:
1. Educação Física na idade escolar. Apesar de grande parte da população renegar esse estímulo tanto por pais quanto por escolas, é muito comum ver um número considerável de crianças e adolescentes sem o prazer de fazer alguma atividade física. Há, de fato, um desconhecimento do mal que isso vem trazendo à nossa população. O estímulo físico não virá apenas das aulas de educação física do colégio, visto que o tempo e estímulos mínimos para uma adaptação significativa não são atingidos nestas aulas. É preciso estimular os jovens e crianças às práticas saudáveis da vida e isso vem da escola, da casa e da cidade que eles vivem.
2. Incluir na rotina a atividade física. Vou repetir: são 21.3 minutos/dia durante uma semana. Dá tempo! Procure uma atividade ou mais de uma! Se informe sobre os melhores locais e coloque na sua vida a atividade física. Jogue para longe todos os perigos que o sedentarismo pode trazer. Sue a camisa, movimente seu corpo, tenha prazer nisso. Experimente um novo estilo de vida. Estableça horários para isso. Afinal, 21.3 minutos! Dá tempo!
3. Níveis de intensidade para o obeso. Apesar de gostar muito da variação de intensidades e estar comprovado o seu benefício. Para um obeso, gosto e prefiro recomendar a atividade moderada no início de um programa de treinamentos. Tanto para dar tempo pro corpo entender e se adaptar ao estímulo como para ele sentir o tal prazer que tanto buscamos - e, muitas vezes, encontramos! - com a atividade física. De 6 a 12 semanas iniciadas as atividades, as intensidades podem - e devem - ser aumentadas e aí a pessoa vai descobrindo mais o seu corpo e tendo cada vez mais os ganhos do exercício.
4. Habilidades motoras. Procure desafios, envolva o seu corpo inteiro na atividade. Visualize o gesto, aprenda a técnica, execute da melhor maneira possível! Você também pode ir criando algumas referências como tempo para calçar o tênis/sapato sentado, quantos degraus/lances de escada você sobe com facilidade, quantos quilos você levanta com os dois braços...
Muitas vezes, vemos a inibição de um obeso procurar um profissional da atividade física por causa desse mito criado pela sociedade de que somos treinadores de super homens.É bom sempre procurar um profissional de Educação Física. Um atleta precisa de um treinador, um obeso... também! Pode ficar tranquilo, estudamos com afinco sobre as suas possibilidades e temos uma preocupação enorme com os níveis de inatividade e obesidade que vêm colocando Fortaleza numa posição de risco para os parâmetros da saúde. Falo por mim e pelos colegas que conheço e conheci ao longo de minha carreira profissional.
Bons treinos!
E até a próxima postagem.
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| Imagem do portal Querida Vida Saudável |
O Ministério da Saúde todo ano publica o Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), um levantamento geral que traz a situação sobre essas doenças crônicas, vou me ater aqui aos números desse estudo relacionados ao excesso de peso, apesar de achar que os outros números apresentados também corroboram o aumento de peso do nosso país.
Em 2011, o Ministério da Saúde publicou o levantamento e nele colocou o "ranking" das capitais brasileiras com excesso de peso. Fortaleza aparece como a capital com o segundo maior número de pessoas com excesso de peso (somadas as pessoas com sobrepeso e as pessoas que apresentam obesidade), sendo a quarta colocada em número de obesos. São posições alarmantes. Contudo, mais assustador era o número percentual: mais da metade da população de Fortaleza (53,7%) está acima do peso ideal!
Em 2013, esse número caiu um pouco (51%) e a capital cearense fica num empate na 12a. colocação. Mesmo assim, continua com mais da metade da população com excesso de peso e com certeza é uma razão para todo fortalezense se preocupar. O excesso de peso está ligado a diversos problemas crônicos de saúde, tais como insônia, doenças coronarianas, hipertensão, diabetes...
Lembrando que a Organização Mundial da Saúde já considera a obesidade uma doença epidêmica, eu mesmo começo a considerar o sedentarismo uma nova doença. O sedentarismo por si só já considero o inicio do processo de formação do obeso. E ele não começa há um ou dois meses atrás.
Nos estudos que fui vendo durante essa semana (listo três de alguns artigos sobre a obesidade infantil feitos no Brasil e um em Portugal, clique em cada número: 1, 2 e 3) estão comprovados que durante uma infância sem estímulos físicos a possibilidade de ganho de peso é maior e a perda desse peso a cada ano que passa de inatividade fica mais difícil.
Ainda sobre o Vigitel, em 2013, Fortaleza aparece em 18o. lugar na proporção de adultos praticantes de atividades física no nível recomendado. Quando eu tenho que lembrar que o recomendado são 150 minutos (3 horas) divididos em 7 dias da semana, o que dá 21.3 minutos por dia da semana (menos de 1/48 do dia), é de ficar quase que escandalizado. E quando você vê que o tempo livre, em quase 30% da população, é gasto em 3 horas de televisão, você não acredita muito que a pessoa não tem tempo para fazer a atividade.
Por isso, venho chegando à esse conclusão: o sedentarismo é uma doença.
No caso infanto-juvenil, tive um número que também preocupa: 140mil crianças e adolescentes (entre 5 e 19 anos de idade) de Fortaleza são obesas. Publicado pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e que encontrei aqui.
Sempre sendo citada a inatividade física. Claro que há a alimentação e o controle do sono. Mas, a preocupação que tenho com a inativdade física se torna quase natural por causa da minha profissão e que devo ajudar no processo de prevenção e tratamento do obeso (também do sobrepeso e do sedentário).
A partir de tudo que vi nessa semana, surge uma verdadeira tempestade mental de tópicos e que futuramente pretendo explorar aqui. Segue alguns:
1. Educação Física na idade escolar. Apesar de grande parte da população renegar esse estímulo tanto por pais quanto por escolas, é muito comum ver um número considerável de crianças e adolescentes sem o prazer de fazer alguma atividade física. Há, de fato, um desconhecimento do mal que isso vem trazendo à nossa população. O estímulo físico não virá apenas das aulas de educação física do colégio, visto que o tempo e estímulos mínimos para uma adaptação significativa não são atingidos nestas aulas. É preciso estimular os jovens e crianças às práticas saudáveis da vida e isso vem da escola, da casa e da cidade que eles vivem.
2. Incluir na rotina a atividade física. Vou repetir: são 21.3 minutos/dia durante uma semana. Dá tempo! Procure uma atividade ou mais de uma! Se informe sobre os melhores locais e coloque na sua vida a atividade física. Jogue para longe todos os perigos que o sedentarismo pode trazer. Sue a camisa, movimente seu corpo, tenha prazer nisso. Experimente um novo estilo de vida. Estableça horários para isso. Afinal, 21.3 minutos! Dá tempo!
3. Níveis de intensidade para o obeso. Apesar de gostar muito da variação de intensidades e estar comprovado o seu benefício. Para um obeso, gosto e prefiro recomendar a atividade moderada no início de um programa de treinamentos. Tanto para dar tempo pro corpo entender e se adaptar ao estímulo como para ele sentir o tal prazer que tanto buscamos - e, muitas vezes, encontramos! - com a atividade física. De 6 a 12 semanas iniciadas as atividades, as intensidades podem - e devem - ser aumentadas e aí a pessoa vai descobrindo mais o seu corpo e tendo cada vez mais os ganhos do exercício.
4. Habilidades motoras. Procure desafios, envolva o seu corpo inteiro na atividade. Visualize o gesto, aprenda a técnica, execute da melhor maneira possível! Você também pode ir criando algumas referências como tempo para calçar o tênis/sapato sentado, quantos degraus/lances de escada você sobe com facilidade, quantos quilos você levanta com os dois braços...
Muitas vezes, vemos a inibição de um obeso procurar um profissional da atividade física por causa desse mito criado pela sociedade de que somos treinadores de super homens.É bom sempre procurar um profissional de Educação Física. Um atleta precisa de um treinador, um obeso... também! Pode ficar tranquilo, estudamos com afinco sobre as suas possibilidades e temos uma preocupação enorme com os níveis de inatividade e obesidade que vêm colocando Fortaleza numa posição de risco para os parâmetros da saúde. Falo por mim e pelos colegas que conheço e conheci ao longo de minha carreira profissional.
Bons treinos!
E até a próxima postagem.

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